Na Semana Mundial do Meio Ambiente, apresentamos em nossa revista digital um artigo escrito por Caroline Rodrigues Vaz, professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e líder do grupo de pesquisa Sustentabilidade e Inovação nas Energias Renováveis (Sinergia) da instituição, e Mauricio Uriona Maldonado, também professor da universidade e vice-líder do grupo de pesquisa Sinergia.

Abaixo, eles vão abordar sobre energias renováveis através de um olhar sobre o potencial de Santa Catarina e uma breve análise sobre o panorama do segmento no Brasil, confira:

Nos últimos 100 anos, a energia tem sido um fator essencial para a vida das pessoas, desde a iluminação em lares até o transporte em diferentes modais. Ao mesmo tempo, a extração da energia da natureza representou um consumo irreversível.

Com o advento dos movimentos ambientalistas e avanços em diferentes ciências, surgiram alternativas renováveis para a geração e consumo da energia, que hoje conhecemos como energias renováveis.

As energias renováveis nada mais são do que energia extraída da natureza de maneira sustentável, aproveitando recursos que se renovam, tais como a luz, radiação solar, maré e o vento, contribuindo para uma menor dependência do uso de combustíveis fósseis, evitando o aquecimento global e podendo ser implantada em qualquer parte do mundo. Contudo, nem todos os recursos naturais são renováveis como, por exemplo, o petróleo e o carvão.

O mundo tem visto um crescimento das tecnologias capazes de gerar energia renovável, principalmente em países onde os recursos energéticos tradicionais eram escassos, economicamente caros ou até arriscados de operarem.

O interessante é que não apenas as matrizes energéticas de vários países estão se tornando mais limpas, mas também outros benefícios começam a ser cada vez mais notados. É o caso dos empregos gerados em atividades de construção, instalação, operação e manutenção de usinas.

Além disso, incentivos estão permitindo que pessoas comuns possam instalar sistemas de geração de energia renovável em suas residências, dando maior autonomia para pessoas que desejam gerar a própria energia ou até aquelas que moram em regiões afastadas onde o acesso da rede elétrica é precário ou até inexistente, conhecida como geração distribuída.

Segundo os dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o Brasil terá 1,3 milhão de consumidores com geração distribuída até 2029. Embora os avanços na inserção das novas energias renováveis (solar e eólica) na matriz elétrica sejam significativos, ainda há muito para se trilhar. No caso da energia solar fotovoltaica, houve um crescimento importante dos mini-geradores e micro-geradores, chegando a 2.225 MW em 2019 segundo a ABSOLAR e gerando ao todo, uma média de 25 a 30 empregos por MW/ano. De fato, dos micro e minigeradores instalados, mais de 99% deles são de sistemas fotovoltaicos, liderança que a tecnologia mantém em todo o segmento distribuído brasileiro desde o seu começo, em 2012.

EM SANTA CATARINA
Santa Catarina encontra-se em posição confortável pois é o sexto estado com maior potência instalada de geração distribuída (128,1 MW), no entanto o mercado ainda engloba apenas 0,15% do público total de consumidores. Segundo os dados da Aneel, eram 10.827 mil catarinenses com geração distribuída até o final de 2019. Instalações de energia solar residenciais lideram o segmento, com mais de 67% dos geradores. Em seguida vem as instalações de energia solar rurais, com 16,23%, um nicho com crescimento impulsionado pelas linhas de financiamento subsidiadas e exclusivas para o setor. As instalações comerciais são a terceira de maior volume, com 13,34%, e em menor quantidade seguem projetos industriais e de poder público. Os maiores mercados do estado para investir estão nas cidades de Florianópolis, Blumenau, Jaraguá do Sul e Joinville.

Na mesma linha, a fonte eólica vem crescendo consideravelmente, chegando a uma capacidade instalada de 15,4 GW em 2019 segundo a Abeeólica e posicionando o país entre os dez com maior capacidade instalada do mundo.

Depois da região Nordeste, a região Sul é a segunda com maior capacidade instalada, sendo que em Santa Catarina, a potência instalada chega 242,5 MW, ou equivalente ao consumo de 117 mil unidades consumidoras, desse montante, 60% aproximadamente se refere a geração distribuída. O restante dos 40% são empreendimentos de grande porte, como o Parque Eólico de Água Doce, composto por 109 geradores, cada máquina tem a capacidade de geração de 1,5MW, o maior do estado e localizado na região conhecida como a Capital Catarinense da Energia Eólica, que consta com 9 usinas espalhadas pela região.

Além destas, o Brasil também possui fontes não intermitentes como a biomassa, ou seja, a extração da energia de resíduos orgânicos de outras cadeias produtivas, como o bioetanol e o biogás. Este último é ainda pouco explorado no país, mas oferece oportunidades interessantes que vão além da geração de energia elétrica, para a produção de biometano (que pode ser utilizado como biocombustível) e para a produção de biofertilizantes.

De um potencial de geração de 3 bilhões de metros cúbicos de biogás por dia, o Brasil produz apenas 3 milhões de metros cúbicos diariamente. Na região Sul, tem apenas em torno de 740 mil metros cúbicos por dia de produção. Existe ainda um número de plantas de biogás muito reduzido no país. São 366 plantas, de acordo com dados estatísticos da Abiogás e apenas 124 plantas em operação nos três estados do Sul com boa capacidade de geração.

Já no setor de transporte, existem fontes de mobilidade elétricas que vêm crescendo nos últimos anos, como caso dos carros elétricos e híbridos (motor elétrico e a combustão), que contribuem para a minimização de geração de gases poluentes, como dióxido de carbono, que afetam o efeito estufa. Porém, existem muitas barreiras para a sua disseminação no país, como o alto custo de aquisição, eletropostos, infraestrutura nas rodovias, entre outras.

Em Santa Catarina, o número de carros elétricos e híbridos, segundo dados do Denatran, aumentou em quase cinco vezes nos últimos cinco anos. Em agosto de 2014, a frota era de 158, e em 2018 chegou a 733. Somente entre 2017 e 2018, o salto foi de 54,3%. Respondendo apenas 0,01% da frota total do estado.

Fonte: Economia SC

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